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18 JUL – 29 AGO 2026

Deparou-se com centenas de fotografias antigas que pareciam cartografar a massa de terra que os britânicos viriam um dia a recortar e a chamar de Iraque. Foi imediatamente cativada pela beleza sensual e enigmática daquelas superfícies abstratas e monocromáticas. Os meandros dos afluentes dos rios pareciam-lhe ora algas ondulantes, ora os ramos de árvores pálidas de inverno. As cristas montanhosas surgiam como suaves pregas de tecido, e as extensões desérticas como folhas de papel sobre as quais pequenos objetos geométricos tinham sido ocasionalmente pousados, projetando sombras de contornos definidos e formando misteriosos símbolos e fórmulas ocultas. 

À medida que lia sobre a política britânica de policiamento aéreo e imaginava a chuva de bombas incendiárias, aquelas superfícies padronizadas começaram a adquirir outras qualidades. As formas ondulantes inscritas nos retângulos revelavam agora partes de corpos gigantes e inchados, e as redes de rios transformavam-se em ramificações venosas e tecido cicatricial. 

Os negativos em placas de vidro, primeiro mantidos em cativeiro no Museu Britânico, encontravam-se agora num instituto de arqueologia de uma universidade. Algumas das formas geométricas assinalavam ruínas antigas, ou os seus ténues vestígios. Incapaz de conter aquilo que capturara, toda uma série de negativos tinha estalado. As formas da superfície terrestre e os contornos das aldeias continuavam visíveis, mas através de fragmentos irregulares. Algo parecia irromper da documentação material de acontecimentos ocorridos muitos anos antes e a milhares de quilómetros de distância. 

Crawford, o arqueólogo-piloto, utilizara em tempos fotografias aéreas para interpretar vestígios arqueológicos na paisagem. Agora, curvada sobre as imagens que Crawford recolhera décadas antes, ela tomou consciência de si própria como um agente dentro de um arquivo e dentro de uma história inacabada da qual fazia parte. As centenas de formas misteriosas afetavam-na cada vez mais, e crescia a sua ansiedade perante a capacidade de interpretar aquelas abstrações, de gerir a proliferação aparentemente interminável de fotografias — e de alguma vez conseguir concluir o seu filme. Habitada por imagens que eram fruto da violência, atravessou inadvertidamente a moldura da representação. 

A sua história começou a inclinar-se para a estrutura paranoica do horror gótico. Queria assegurar-se de que aqueles que, como ela, fossem seduzidos pelos prazeres da distância e da abstração saberiam que nem tudo estava bem dentro daquelas imagens; que aquelas eram cenas de trauma; que, daqui, não conseguimos ver os corpos meio enterrados na areia. E, no entanto, eles vêem-nos a nós. 

Interrogava-se sobre todas aquelas ruínas. Ruínas para serem lembradas e ruínas destinadas ao esquecimento. A preservação do passado e a destruição do presente. «Que estranho feitiço lançaram estes homens!», pensou.


Miranda Pennell, 2026

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